Sejam Bem Vindos!!

"E se não morreram, viveram felizes até hoje, diz o conto de fadas. O Conto de fadas, que ainda hoje é o primeiro conselheiro das crianças, porque foi outrora o primeiro da humanidade, permanece vivo, em segredo, na narrativa. O primeiro narrador verdadeiro é e continua sendo os contos de fadas." (Walter Benjamin)

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Uma mensagem de Ano Novo para os nossos desejos...A mulher Esqueleto

No último dia do Ano, quando estamos predispostos a fazer nossos balanços, analisarmos nossos saldos de realizações , quando fazemos nossos planos futuros para o novo ano, resolvi postar um conto que me faz refletir sobre nossos desejos.
 Reconhecer nossos mais profundos desejos às vezes nos assusta. Muitas vezes é preciso um tempo para acostumarmos com a sua terrível aparência, é preciso admitir que não conseguiremos nos esconder deles, que eles estarão sempre conosco e quanto mais os negamos mais assutadores vão se tornando. Por outro lado, quanto mais os assumimos, mais bonitos e familiares eles nos parecem. É preciso que que a água dos nossos sonhos hidratem os nossos desejos para que ganhem um corpo como o da "mulher esqueleto". O desejo precisa do seu coração entregue com confiança e ternura, para que ele ganhe um novo rítimo, uma nova vida! Desejo à todos os meus amigos(as), um 2011 de muitas realizações e muitos corações batendo de felicidade e puro amor!
Elaine Moraes - 31/12/2010

A Mulher Esqueleto
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Conto de tradição do povo Inuit - Esquimós
Saiba sobre o povo Inuit


"Ela havia feito alguma coisa que seu pai não aprovava, embora ninguém mais se lembrasse do que havia sido. Seu pai, no entanto, a havia arrastado até os penhascos, atirando-a ao mar. Lá, os peixes devoraram sua carne e arrancaram seus olhos. Enquanto jazia no fundo do mar, seu esqueleto rolou muitas vezes com as correntes.

Um dia um pescador veio pescar. Bem, na verdade, em outros tempos muitos costumavam vir a essa baía pescar. Esse pescador, porém, estava afastado da sua colônia e não sabia que os pescadores da região não trabalhavam ali sob a alegação de que a enseada era mal-assombrada.

O anzol do pescador foi descendo pela água abaixo e se prendeu - logo em que! - nos ossos das costelas da Mulher-esqueleto. O pescador pensou: “Oba, agora peguei um grande de verdade! Agora peguei um mesmo!” Na sua imaginação, ele já via quantas pessoas esse peixe enorme iria alimentar, quanto tempo sua carne duraria, quanto tempo ele se veria livre da obrigação de pescar. E enquanto ele lutava com esse enorme peso na ponta do anzol, o mar se encapelou com uma espuma agitada, e o caiaque empinava e sacudia porque aquela que estava lá em baixo lutava para se soltar. E quanto mais ela lutava, tanto mais ela se enredava na linha. Não importa o que fizesse, ela estava sendo inexoravelmente arrastada para a superfície, puxada pelos ossos das próprias costelas.

O pescador havia se voltado para recolher a rede e, por isso, não viu a cabeça calva surgir acima das ondas; não viu os pequenos corais que brilhavam nas órbitas do crânio; não viu os crustáceos nos velhos dentes de marfim. Quando ele se voltou com a rede nas mãos, o esqueleto inteiro, no estado em que estava, já havia chegado a superfície e caia suspenso da extremidade do caiaque pelos dentes incisivos. - Agh! - gritou o homem, e seu coração afundou até os joelhos, seus olhos se esconderam apavorados no fundo da cabeça e suas orelhas arderam num vermelho forte.

- Agh! - berrou ele, soltando-a da proa com o remo e começando a remar loucamente na direção
da terra. Sem perceber que ela estava emaranhada na sua linha, ele ficou ainda mais assustado pois ela parecia estar em pé, a persegui-lo o tempo todo até a praia.Não importava de que jeito ele desviasse o caiaque, ela continuava ali atrás.Sua respiração formava nuvens de vapor sobre a água, e seus braços se agitavam como se quisessem agarrá-lo para levá-lo para as profundezas.


- Aaagggggghhhh! - uivava ele, quando o caiaque encalhou na praia. De um salto ele estava fora da embarcação e saia correndo agarrado a vara de pescar.E o cadáver branco da Mulher-esqueleto, ainda preso a linha de pescar, vinha aos solavancos bem atrás dele. Ele correu pelas pedras, e ela o acompanhou.Ele atravessou a tundra gelada, e ela não se distanciou. Ele passou por cima da carne que havia deixado a secar, rachando-a em pedaços com as passadas dos seus mukluks.

O tempo todo ela continuou atrás dele, na verdade até pegou um pedaço do peixe congelado enquanto era arrastada. E logo começou a comer, porque há muito, muito tempo não se saciava. Finalmente, o homem chegou ao seu iglu, enfiou se direto no túnel e, de quatro, engatinhou de qualquer jeito para dentro. Ofegante e soluçante, ele ficou ali deitado no escuro, com o coração parecendo um tambor, um tambor enorme. Afinal, estava seguro, ah, tão seguro, é, seguro, graças aos deuses, Raven, é, graças a Raven, é, e também a todo-generosa Sedna, em segurança, afinal.

Imaginem quando ele acendeu sua lamparina de óleo de baleia, ali estava ela - aquilo - jogada num monte no chão de neve, com um calcanhar sobre um ombro,um joelho preso nas costelas, um pé por cima do cotovelo. Mais tarde ele não saberia dizer o que realmente aconteceu. Talvez a luz tivesse suavizado suas feições; talvez fosse o fato de ele ser um homem solitário. Mas sua respiração ganhou um que de delicadeza, bem devagar ele estendeu as mãos encardidas e, falando baixinho como a mãe fala com o filho, começou a soltá-la da linha de pescar.


- Oh, na, na, na. - Ele primeiro soltou os dedos dos pés, depois os tornozelos.- Oh, na, na, na. - Trabalhou sem parar noite adentro, até cobri-la de peles para aquecê-la, já que os ossos da Mulher-esqueleto eram iguaizinhos aos de um ser humano.


Ele procurou sua pederneira na bainha de couro e usou um pouco do próprio cabelo para acender mais um foguinho. Ficou olhando para ela de vez em quando enquanto passava óleo na preciosa madeira da sua vara de pescar e enrolava novamente sua linha de seda. E ela, no meio das peles, não pronunciava palavra - não tinha coragem - para que o caçador não a levasse lá para fora e a jogasse lá em baixo nas pedras, quebrando totalmente seus ossos.

O homem começou a sentir sono, enfiou-se nas peles de dormir e logo estava sonhando.Às vezes, quando os seres humanos dormem, acontece de uma lágrima escapar do olho de quem sonha. Nunca sabemos que tipo de sonho provoca isso, mas sabemos que ou é um sonho de tristeza ou de anseio. E foi isso o que aconteceu com o homem.

A Mulher-esqueleto viu o brilho da lágrima a luz do fogo, e de repente ela sentiu uma sede daquelas. Ela se aproximou do homem que dormia, rangendo e retinindo,e pôs a boca junto a lágrima. Aquela única lágrima foi como um rio, que ela bebeu,bebeu e bebeu até saciar sua sede de tantos anos.Enquanto estava deitada ao seu lado, ela estendeu a mão para dentro do homem que dormia e retirou seu coração, aquele tambor forte. Sentou-se e começou a batucar dos dois lados do coração: Bom, Bomm!... Bom, Bomm!

Enquanto marcava o ritmo, ela começou a cantar em voz alta.

- Carne, carne, carne! Carne, carne, carne!- E quanto mais cantava, mais seu corpo se revestia de carne.Ela cantou para ter cabelo, olhos saudáveis e mãos boas e gordas. Ela cantou para ter a divisão entre as pernas e seios compridos o suficiente para se enrolarem e dar calor, e todas as coisas de que as mulheres precisam.

Quando estava pronta, ela também cantou para despir o homem que dormia e se enfiou na cama com ele, a pele de um tocando a do outro. Ela devolveu o grande tambor, o coração, ao corpo dele, e foi assim que acordaram, abraçados um ao outro,enredados da noite juntos, agora de outro jeito, de um jeito bom e duradouro.

As pessoas que não conseguem se lembrar de como aconteceu sua primeira desgraça dizem que ela e o pescador foram embora e sempre foram bem alimentados pelas criaturas que ela conheceu na sua vida debaixo d'água.As pessoas garantem que é verdade e que é só isso o que sabem."

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

É tempo de Natal!!

Natal na Ilha do Nanja
Cecília Meireles

Na Ilha do Nanja, o Natal continua a ser maravilhoso. Lá ninguém celebra o Natal como o aniversário do Menino Jesus, mas sim como o verdadeiro dia do seu nascimento. Todos os anos o Menino Jesus nasce, naquela data, como nascem no horizonte, todos os dias e todas as noites, o sol e a lua e as estrelas e os planetas. Na Ilha do Nanja, as pessoas levam o ano inteiro esperando pela chegada do Natal. Sofrem doenças, necessidades, desgostos como se andassem sob uma chuva de flores, porque o Natal chega: e, com ele, a esperança, o consolo, a certeza do Bem, da Justiça, do Amor. Na Ilha do Nanja, as pessoas acreditam nessas palavras que antigamente se denominavam "substantivos próprios" e se escreviam com letras maiúsculas. Lá, elas continuam a ser denominadas e escritas assim.

Na Ilha do Nanja, pelo Natal, todos vestem uma roupinha nova — mas uma roupinha barata, pois é gente pobre — apenas pelo decoro de participar de uma festa que eles acham ser a maior da humanidade. Além da roupinha nova, melhoram um pouco a janta, porque nós, humanos, quase sempre associamos à alegria da alma um certo bem-estar físico, geralmente representado por um pouco de doce e um pouco de vinho. Tudo, porém, moderadamente, pois essa gente da Ilha do Nanja é muito sóbria.

Durante o Natal, na Ilha do Nanja, ninguém ofende o seu vizinho — antes, todos se saúdam com grande cortesia, e uns dizem e outros respondem no mesmo tom celestial: "Boas Festas! Boas Festas!"

E ninguém, pede contribuições especiais, nem abonos nem presentes — mesmo porque se isso acontecesse, Jesus não nasceria. Como podia Jesus nascer num clima de tal sofreguidão? Ninguém pede nada. Mas todos dão qualquer coisa, uns mais, outros menos, porque todos se sentem felizes, e a felicidade não é pedir nem receber: a felicidade é dar. Pode-se dar uma flor, um pintinho, um caramujo, um peixe — trata-se de uma ilha, com praias e pescadores ! — uma cestinha de ovos, um queijo, um pote de mel... É como se a Ilha toda fosse um presente. Há mesmo quem dê um carneirinho, um pombo, um verso! Foi lá que me ofereceram, certa vez, um raio de sol!

Na Ilha de Nanja, passa-se o ano inteiro com o coração repleto das alegrias do Natal. Essas alegrias só esmorecem um pouco pela Semana Santa, quando de repente se fica em dúvida sobre a vitória das Trevas e o fim de Deus. Mas logo rompe a Aleluia, vê-se a luz gloriosa do Céu brilhar de novo, e todos voltam para o seu trabalho a cantar, ainda com lágrimas nos olhos.

Na Ilha do Nanja é assim. Arvores de Natal não existem por lá. As crianças brincam com pedrinhas, areia, formigas: não sabem que há pistolas, armas nucleares, bombas de 200 megatons. Se soubessem disso, choravam. Lá também ninguém lê histórias em quadrinhos. E tudo é muito mais maravilhoso, em sua ingenuidade. Os mortos vêm cantar com os vivos, nas grandes festas, porque Deus imortaliza, reúne, e faz deste mundo e de todos os outros uma coisa só.

É assim que se pensa na Ilha do Nanja, onde agora se festeja o Natal.
Texto extraído do livro “Quadrante 1”, Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1966, pág. 169.

Histórias na praça são como sonhos e viagens num tapete mágico...


...Podemos ter as mais incríveis aventuras, as mais lindas viagens, visitar os lugares mais inusitados, porém se não tivermos imaginação, nada ficará marcado na memória da alma.  Para se viver a vida não basta apenas viver, é preciso antes de tudo sonhar...


Alguns momentos deste último sábado contando histórias na Praça do Coco em Barão Geraldo.
Em clima de Natal, muitas barraquinhas de artesanto com muitas novidades para presentes, muita comida boa, diversidade na programação cultural neste mês de dezembro com apresentações de manhã e à tarde.
Repertório de histórias da Nani neste último sábado:

O Galo e o Rei (Folclore Francês)
O Galo Ló (Conto de tradição oral )
Bruxa Salomé (Livro de Audrey Wood e Don Wood)
O Bolo de Natal (livro de Elza Fiuza)



Tem público que já é fiel
Adoro este público!!

O Perú Glú glú faz assim...
e todo mundo fez "glu glu glu"...

História da Bruxa Salomé
Nada como ver de pertinho
as belíssimas ilustrações de Don Wood.

Ventou muito, mas o banner novo da Nani se segurou...

Gente da 3ª idade do posto de Saúde ouvia as histórias
para cantar suas músicas na sequência da programação
Minha mensagem de Natal à todos:
"À exemplo do Bolo do seu Chiquinho, desejo que todas as coisas boas que soubermos fazer, cresça sem parar e possa alimentar a alma de todos os nossos irmãos!
Feliz Natal e Próspero Ano Novo! Um 2011 repleto de sonhos para se viver uma vida Feliz!!

Elaine Moraes
Nani Encantadora de Histórias

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Palestra "Humanizados pela Leitura" SENAI Campinas 29/10/2010

Dia 29/10/2010, fui convidada pelo Prof. Moacyr e pela bibliotecária Herminia do SENAI Campinas, para palestrar na semana da leitura para quase 100 jovens entre 16 e 30 anos de idade, sobre o tema "Leitura".
Preparei com muito carinho as palavras e as histórias que poderiam me ajudar a passar a  mensagem "Humanizados pela leitura".

Pensando na leitura, não só como a tradução de uma escrita, busquei minha inspiração na frase "Ler e ouvir histórias é decifrar o mundo" de Bartolomeu Campos de Queiroz. Então, leitura é o que nós fazemos o tempo todo, observando uma pessoa, seu modo de vestir, de agir, os costumes das pessoas numa outra cidade...o tempo todo estamos fazendo leituras e tentando decifrar o mundo à nossa volta.

O interessante é que, tanto mais leituras do universo dos livros nós fazemos, mais ampliamos nossa capacidade de decifrar o mundo. 
Nosso jeito de ler e decifrar vai mudando com o decorrer da nossa vida. Um livro que li na juventude, quando leio hoje, pode me trazer uma nova idéia que na época não chegou a ser percebida. A leitura é sempre muito rica e não se esgota.

Muitos homens e mulheres, tiveram suas vidas modificadas ao conhecerem outras realidades através das histórias dos livros. Como o exemplo magnífico dos contadores de histórias do presídio de Itaúna de Minas Gerais. "As histórias, me ajudaram a me conhecer como pessoas e a reconstruir a minha própria história..." com esse depoimento podemos compreender como boas leituras podem proporcionar mudanças às pessoas que passaram suas vidas em contato com um outro tipo de leitura, por exemplo a do mundo do crime. "As palavras tem poder" diz sempre meu prof de Psicanálise Durval Checchinato, é por isso que eu conto histórias, por que acredito no poder das palavras, na magia dos contos. 

Foi uma manhã muito prazerosa, o SENAI é uma escola de qualidade, senti isso logo que cheguei e possui um corpo docente muito preocupado em formar e capacitar seus alunos.
Adorei poder cantar "Brincar de viver " e fazer uma leitura segundo as minhas próprias lentes, para demonstrar a profundidade dos significados existentes numa frase, num verso, numa simples canção...qualquer dia desses eu farei um artigo sobre essa belíssima letra e famosa na voz de Maria Bethania

Os autores escreveram suas histórias, seus romances, seus livros, para o prazer da leitura do leitor. Tenho certeza que Machado de Assis não fez nenhuma de suas obras para virar questões de vestibular. É nisso que muitos perdem o gosto pela leitura. Mas vestibular é uma vez na vida, temos a vida toda para ler  muitos livros sem pensar em prova...apenas pelo prazer. Redescubra o prazer de ler ou de ouvir uma boa história.


Finalizando, todos nós fomos humanizados pela leitura. Primeiras leituras desde bebê, a fome e a resposta da mãe, a sua presença e ausência, a voz e a associação às coisas e afetos, depois  a alfabetização com o som e imagem das palavras, sem o que tudo isso, não seríamos capazes de sobreviver.

A interface que nós humanos usamos para nos relacionar com o mundo real é a linguagem.  E tudo o mais é "Uma questão de Interpretação" como na história de Rosana Pamplona.

Finalizando este texto, a leitura é uma coisa tão séria, que eu acredito que você é aquilo que lê e ouve, assim como o alimento é para o corpo, a leitura é para alma.


Elaine Cristina Villalba de Moraes





  

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Contar uma história é um presente que se dá!

Como esta semana antecede o dia das Bruxas, o famoso Halloween, pesquisei muitas histórias de bruxas e contos de encantos e assombrações. Descobri e redescobri uma mais interessante do que a outra. Resolvi escrever uma nova história pensando nas criança bem pequenas e que pode ser contada com fantoches, muita imaginação e criar muita interação neste momento.

Esta história, contarei neste sábado (dia 30/10/10) lá na praça do Côco em Barão Geraldo por volta das 11:00 h.

Então ...com vocês..meu presente!

Fada Lara e Bruxa Gotucha


Fotografia por Nani em seu jardim encantado!

Onde existem fadas existem bruxas, e nesta história, a fada Lara e a Bruxa Gotucha eram vizinhas que viviam na mesma floresta,  umas dez árvores de distância de cada uma. Árvores enormes de floresta, mas para uma bruxa ou para um fada isso não é muito distante.
A Fada Lara era a Fada mais alegre que vivia por ali. Super animada na culinária, fazia biscoitos e docinhos tão deliciosos que sua fama ia longe , todos  diziam que  suas iguarias davam alegria na boca. Já os que a  Bruxa Gotucha se arriscava a fazer, davam alergia, isto sim!
A bruxa Gotucha embora não cozinhasse bem, era super gulosa e vivia comendo as guloseimas da Fada. Lara vivia trancando suas iguarias num armário com todas as trancas encantadas, e isso  dificultou tanto satisfazer o apetite da Bruxa que ela ficou furiosa.
Gotucha que agora só podia sentir o cheiro das coisas boas de Lara, resolveu fazer um feitiço usando  folhas de espirradeira. Aconteceu, que todos que comiam das guloseimas de Lara ficavam espirrando sem parar, até Lara espirrava sem saber o que estava errado.
-AAAATCHIMMMMM! AATCHIMMM!! – se ouvia por toda a floresta, parecia uma epidemia. Mama mia!
Na floresta tinha um passarinho de rabo vermelho,  amigo da fada que contou para ela do fetiço que Gotucha espalhou em sua culinária.  O segredo era fazer a Bruxa Gotucha experimentar do seu próprio feitiço - disse ele para ajudá-la.
Então, Fada Lara conseguiu comprar suco de espirradeira na loja da curandeira D. Serena  e com ele fez o doce que a bruxa mais gostava: doce de batata-doce, enroladinho como brigadeiro.  Deixou na cozinha como se fosse por esquecimento.
Gotucha, gulosa como quê, logo apareceu e devorou os docinhos com sua bocona de bruxa. Ficou com a boca cheia que  nem podia mastigar...que coisa feia! Mais feio ainda foi quando ela começou ....
 – AAA...schin...ããã....snif.... – fez Gotucha por o dedo no seu longo e torto nariz, mas não segurou por muito tempo e começou a...eespirraaarrrr!!!!
- AAAATCCHHIIIIMMMMMMMMMMM! AAATCCCHHIIIIMMMMMMMMMM!
Que  terrível ver uma bruxa espirrar de boca cheia. Tinha pedaço de docinho voando por todo lado!! E Gotucha saiu voando para sua casa para que ninguém visse esse vexame e ficou por lá um bom tempo ou quem sabe até se mudou.
Desde então Fada Lara parou de espirrar e voltou com a sua culinária nota dez, com gostosuras que enchem de alegria a boca da gente. Hummm!
 E foi assim..."Ã ã...Atchim! (Gente, isso é só um resfriado!)"... que acabou esta história!
Fim.

Elaine Cristina Villalba de Moraes 
Espero que tenham gostado, me inspirei na história de Sonia Robatto, "Alegria na Boca". 

domingo, 24 de outubro de 2010

Ótimo livro para pais que "boiam" e filhos que "chovem".

"O Menino que Chovia" é um livro de Cláudio Thebas que sempre gostei por ser uma história toda contada em prosa poética, estilo que eu gosto muito de me apresentar narrando histórias. Mas este livro não serve apenas para uma bela apresentação num momento de contação de histórias, aliás é um livro excelente para os papais e mamães de hoje..."Qualquer semelhança com a vida real....não..... é mera coincidência"...
Levei este livro numa aula de" Psicanálise de Pais" para meu  professor de psicanálise Lacaniana, Durval Checchinato. Ao ouvir atentamente a história deste menino, gostou tanto que recomendou a todos os alunos  um exemplar do livro.  É que, a  história ilustra de forma muito divertida, como os pais de hoje estão "boiando" diante das "chuvaradas" de suas crianças.


Estamos diante de uma realidade onde os pais ficam fora o tempo todo, os cuidados com os filhos são terceirizados e as crianças estão perdidas tentando se encontrar, muitas vão passar para a fase  adulta sem ser crianças e outras nem deixarão de ser crianças pelo resto da vida, o que quer dizer em termos psicanlíticos que estas não terão suas pulsões educadas nem orientadas.

Para os leigos,  falar em pulsão pode ser complicado, mas eu tentarei ser simples. Os animais tem instinto pois já nascem e vão se virando pela natureza encontrando seu alimento e procriando do mesmo modo como à milhares de anos e sua evolução já carrega isso no DNA fica fácil. Nós humanos não temos nossos "sistema operacional" carregado desta forma.  Ele vai sendo carregado aos poucos e nós precisamos de muita informação para direcionar nossa pulsão a fim de garantir nossa sobrevivência de forma mais saudável, mais plena e isto inclui saber viver em sociedade.

Segundo Checchinato autor do livro "Criança, sintoma dos pais", uma criança que chora, "Chove tempestade" é uma criança que sofre pois não está conseguindo se inserir no mundo e a sua pulsão está desordenada.

Na maioria dos casos quando as crianças são rotuladas de problemáticas, não é a criança que tem defeito, o que ela é, é um efeito, o resultado da dificuldade dos pais e adultos em mostrar as leis que regem a vida humana em sociedade. Não se trata de falar aqui só de limites...é muito mais do que isso. É também ajudar a criança a saber quando dizer "obrigado",  "por favor"  e "bom dia" fazendo-a reconhecer a existência das outras pessoas.

Muitas vezes para se conviver com as crianças e suas dificuldades as escolas mandam os pais procurarem um especialista, psicólogos, neurologistas e até psiquiatras, para consertarem seus defeitos (hiperatividade, TDA, agressivas, depressão, idéias fixas) e assim vestem uma bóia para não se afogarem em meio a tantas tempestades e as crianças passam tomar remédios que futuramente podem comprometer a sua personalidade, trazendo um comportamento fabricado, aliendado do seu ser como sujeito.

A verdade é que elas sofrem por não saberem o lugar que elas ocupam nas suas famílias, quando elas passam a mandar na casa...e os seus pais não sabem como fazer, pois se sentem culpados por não permanecer em casa e acabam deixando fazer tudo o que querem, quando na verdade uma criança pra se sentir amada precisa que seus pais digam "Não" quando for preciso, sem remorsos mas com a convicção do que é o melhor pra eles, que é assim que eles vão aprender a conviver em sociedade e amar...Deixar fazer tudo pode ser abandono, comodismo, ou narcísico,  mas não pode ser amor.

 Muitas vezes a criança ainda não está em condições de compreender explicações, nesta hora um 'não' deve ser firme para que a criança  entenda que "não se faz tal coisa", ou "isso não se faz" e é importante que a criança saiba que ela não está obedecendo apenas para agradar o papai e para a mamãe, mas que existe o Outro e assim ela vai começando a introduzir na sua realidade a sua posição de filho, irmão, aluno, amigo..uma pulsão ordenada leva a criança a se ocupar de atividades infantis, de se alegrar, de participar de jogos e brincadeiras, aprender a ganhar e a perder e muitas outras coisas para se aprender a viver socialmente.

Para exemplificar, um dia desses, estava  no consultório do meu médico homeopático e junto comigo uma mãe com sua filha lindinha de uns 5 anos. Simplesmente a menina não sabia como  ficar quieta, nada podia ficar parado à sua volta, falava só em voz alta e não respeitava ninguém. A mãe nada dizia, como se aquilo fosse uma coisa natural...pensei "hoje a mãe fica calma achando tudo lindinho, mais tarde vai dizer..."-Onde foi que eu errei?". A menina tirava os móveis de lugar e estava mudando a sala toda. Olhei para a menina delicadamente, sorrindo perguntei "Aqui é sua casa?" , ela respondeu  "não", então disse a ela que não poderia mudar os móveis das casas das outras pessoas, só os da casa dela. Ao que ela procurou os olhos de sua mãe para ver se havia alguma dúvida. Pra minha sorte a mãe confirmou que ela não poderia mesmo fazer aquilo. A menina parou, mas não voltou nada no lugar... mesmo a mãe pedindo ela não fez. Depois pediu um iogurte para a mãe, e pra minha surpresa a  mãe carregava um isopor cheio de coisas para que nada faltasse àquela criança... mas isso já é outro assunto. O que eu fiquei sabendo é que ninguém aguenta quando ela aparece por lá...mas ninguém pode com ela....Será ? Eu penso que ela está pedindo isso o tempo todo! Os pais precisam entender como os filhos pedem para ser ordenados.
Este livro é bom e eu recomendo! Por amor as nossas crianças, nossos futuros homens e mulheres, não "boiemos", mas ensinemos nossas crianças à "nadar" .

Elaine Cristina Villalba de Moraes

domingo, 17 de outubro de 2010

Griots homenageam as crianças no HC Unicamp e trazem Cães Terapeuticos

Neste sábado de Outubro (16/10/10), uma idéia dos Griots Contadores de histórias do HC Unicamp, que foi crescendo aos poucos, acabou se transformando numa grande homenagem pelo mês em que se comemora o dia das crianças. 



Eu de Fada Azul e a belíssima
Golden Retriever da ONG ATEAC

Pessoalmente, como coordenadora deste grupo, fico muito satisfeita, pois é um dos melhores grupos de contadores de histórias de hospital que já se formou. 

Griotada do HC e de outros hospitais que estavam
presentes, contribuiram muito para toda esta festa!!

Nossos ideais em comum, paixão por contar histórias e ver mais alegria e esperança nos rostos das crianças e das pessoas, nos motivam verdadeiramente a se organizar para a realização de ações como esta.




Vejam alguns momentos desta tarde de sábado...nem parecida um hospital!! Mas a idéia era essa mesmo!




Bela e a Fera cantaram
e encantaram todo o hospital!!
 

Cleonice Diretora dos Griots com
 "Macaquinho sai daí" de Bia Bedran
 

Fera, Bela e a Fada Azul  
 





Eva Griots - narrou com graça
várias histórias
  entre elas "O macaco e papai deus".


Apaixonados por histórias, fizemos uma tarde inesquecível onde a fantasia das histórias pôde ecoar como música até os leitos mais afastados do grande pátio da pediatria.








A Griota Maria Luisa contou
uma história sobre ecologia
muito interessante e atual. 
  
Atraímos muitos pacientes dos outros andares que se debruçaram ao redor da varanda que circunda o pátio do hospital, curiosos e ao mesmo tempo felizes por saberem que estávamos ali para eles.



 




Griots Egidio contando suas histórias
com seu jeito especial.


 










Acabava uma história...começava outra!
Contei a história do
"Papel que não queria ser um simples papel"
de Luciano Pontes




Foram dias de organização e muito trabalho
para que tudo desse certo como imaginávamos
Só que saiu melhor do que isso!! Foi maravilhoso!!







Contamos até com a participação de funcionários importantes do HC neste evento, como a Enfermeira Diretora da Infectologia, Sonia Dantas com sua peça de fantoches "Beleza Interior"...muito aplaudida por sinal.
Eu participei também como a personagem Bia e foi uma experiência e tanto poder fazer um trio assim...


Sonia Dantas do CCIH/HC, Sandra e Nani
na peça "Beleza Interior"

Bom foi ver de perto!!

Para completar a alegria, convidamos a ONG ATEAC que levaram seus cães terapêuticos e encantaram as crianças, acompanhantes e muitos funcionários.

 
Final da peça a Bruxa fica boazinha
depois recebe seus cães bem tratados
 
Foi a primeira vez que os pacientes do HC da Unicamp receberam estes visitantes de pêlos , focinhos e de rabinhos balançando. Os atores da ONG iniciaram com um super teatrinho. Tinha uma Bruxa má que maltratava os seus cães, e uma linda fada verde que ajudou na transformação salvando os cachorrinhos maltratadas e dando um novo coração para Bruxa que passou a amar os seus bichinhos. No final eles foram as estrelas da festa.



Criança entra em contato com o Yorkshire Badu
e aproveita o momento para agradar o cãozinho 

Foi muita emoção poder estar presente e testemunhar como as crianças ficaram surpresas e muito felizes tocando nestes animais tão lindos e dóceis!!




  




E foi assim que tudo aconteceu, uma idéia, uma união, muito trabalho e comprometimento. Com apoio da administração do Hospital da Unicamp, muitos amigos meus de  trabalho, apoio dos Griots é claro, todo esse sonho foi possível!!  


E esta História entrou por uma porta e saiu pela outra
 e quem se inspirou com tudo isso
 que faça outra festa como esta!!
 FIM!
Elaine Cristina Villalba de Moraes 



quinta-feira, 14 de outubro de 2010

sábado, 9 de outubro de 2010

Encontro Temático - Os Contos de Fadas e Psicanálise


Palestrante: Elaine Moraes
Dia 13/10/2010 – às 20:00 h na Associação Campinense de Psicanálise (apenas para alunos e membros da ACP.)
“A criança  que  pensa  em  fadas e acredita  em fadas age como um deus doente, mas como um deus.
Por que embora  afirme o que não existe
Sabe como é que as coisas existem, que é existindo,
Sabe que existir existe e não se explica.
Sabe que não há razão nenhuma para nada existir
Sabe que ser é estar em algum ponto
Só não se sabe que o  pensamento não é um ponto qualquer.”
(Fernando Pessoa, poemas completos de Alberto Caieiro)

A psicanálise que sempre se interessou pela arte, muito contribuiu para compreendermos, que para o psiquismo humano, não importa se falamos de uma realidade concreta ou de uma fantasia. Ao romper esse conceito de verdade pura, nos mostrou que toda apreensão da realidade é permeada pelo inconsciente e pelo desejo. Em 1911 Freud cita que...”Por meio da interpretação dos sonhos, estaremos cada vez mais próximos do rico material da poesia, dos mitos, dos usos de linguagem do folclore, concebendo esses materiais  como manifestações do inconsciente...” e Lacan postulou... ” O inconsciente é estruturado como uma linguagem..”
Com a experiência de Contadora de histórias e pequisadora desta arte sob a ótica da psicanálise, este encontro pretende expor uma reflexão sobre os Contos de fadas de ontem e de hoje, qual a sua importância na formação psíquica humana e o que é que conta um conto.

domingo, 12 de setembro de 2010

O Contador de histórias no contato com o paciente infantil

Sempre que eu volto de um encontro de formação de contadores de histórias voluntários para hospital, fico sempre a refletir e pensando nas dúvidas e angústias dos novos candidatos ao iniciar um trabalho como este. Com minha experiência de contadora e coordenadora posso dizer o quanto este trabalho  faz a diferença para uma criança hospitalizada e o quanto faz crescer os que praticam o voluntariado, mas sei também o quanto os novos voluntários sofrem por insegurança, não só na narração ou escolha das históiras mas principalmente na questão da aproximação com o paciente infantil em seu iníco desta nova empreitada de contador de histórias num hospital.


Nani no Palacio dos Bandeirantes em outubro/09 - O Gov. José Serra fez uma grande homenagem aos voluntários da Saúde do Estado de São Paulo.

Num hospital as horas não passam, tem o desconforto de não estar em casa, de não poder fazer ou comer o que se quer, além das dores que se tem que suportar. Nós chegamos lá com vigor, sorrindo, mas é um gesto delicado, não pode ser aquela alegria que destoa, que choca. Vamos nos aproximando com delicadeza e uma certa auto confiança, como quem sabe que tem algo muito bom para oferecer àquela criança, ou àquele acompanhante que está ao seu lado. Em nossas malas levamos belas histórias, jogos, mas também levamos nossos ouvidos, é preciso antes de tudo de ouvir uma pouco aquela criança, conhecê-la e também porque todos somos contadores de histórias, as crianças também tem as suas e devemos escutá-las. Às vezes ela só quer conversar um pouquinho.

Um bom contador de histórias, deve ler muito, conhecer várias histórias, saber tirar de um livro tudo o que for possível desde a ilustração e sentir profundamente a história em sua alma, mas álém disso, para levá-las a um hospital ele precisa ainda aprender muitas coisas sobre a arte da aproximação e do contato com a criança.

Comigo na primeira vez foi fácil, a criança é que me pediu para contar histórias, mas com o tempo a gente vai vendo que temos que desenvolver outras formas, por isso resolvi falar um pouco sobre este tema.

Temos que lembrar que cada criança ou pessoa é singular, por isso não há fórmulas mas sempre temos que começar de alguma maneira não é mesmo? Às vezes pensamos que somos tímidos demais e que não vai rolar nada, às vezes nossa energia contagiante que usamos em outros lugares pode não funcionar em um hospital...então como fica?

Normal... seja você mesmo!! Faça como gente grande, se apresente, pergunte o nome da criança, faça-lhe um elogio do nome, do sorriso ou de seus olhos. Eu gosto de começar assim, chamando atenção para as coisas boas que aquela criança me faz sentir. É assim que eu me aproximo pois acredito que é preciso que alguém de fora diga àquela criança algo de bom, sem que ela seja olhada como uma paciente. 

Depois de um clima de aproximação podemos apresentar nossos livros, deixar a criança escolher, mas é comum com a experiência dos anos, já na conversa com a criança descobrirmos qual tipo de leitura ou narrativa agradará mais aquela. Aí o tempo passa que a gente nem vê, fica uma delícia entre uma história e outra, uma conversa que gira em torno da história e vai longe. Se o difícil é se aproximar, depois o difícil, vai ser sair.

Algumas vezes acontece que o contador vai ouvir um "Não" da criança e aí a experiência conta muita, mas o mais importante é interpretar este "Não" para as histórias.

Tem certos "Não" que são por pura timidez. Isso a gente  pode ajudar e ir quebrando o gelo com jeitinho, uma brincadeira, uma mágica, deixando a criança curiosa, conversando com a mãe, contando histórias para a criança que está ao lado. É divertido e muito gratificante quando a criança se abre em sorrisos no final e fica sendo seu fã, seu amigo. Ouvi dizer que um garoto de 11 anos que não falava com ninguém no hospital desde de que fora internado, foi se abrir justamente com uma Contadora de histórias que também era tímida no início de seu trabalho. 

Outras vezes é um "Não" por que a criança tem uma certa dificuldade social e isso é comum por vários motivos: Falta de costume, de cultura diferente ou por simplicidade. Deformidades, síndromes, mas é comum como elas nos surpreendem depois que entram em contato com Contadores de histórias e outros voluntários. Podem se tornar mais sociáveis que antes do período de internação e ficam muito amigos e isto ajuda na sua recuperação e às vezes é fundamental para a sua evolução como pessoas apesar de suas limitações. Num caso incrível que eu conheci a garotinha tinha 3 anos não falava, não ouvia e tinha muitas deformidades, mesmo assim todos insistiam em falar e estar com ela, quando saiu do HC foi para outro abrigo, lá recebeu mais apoio profissional e por fim aos 11 anos ela era totalmente social, entendia as pessoas e se fazia entender e ainda queria ajudar no cuidado com as outras criança do abrigo. É lindo testemunhar todo este crescimento, me faz pensar que quando ninguém desiste, quando se investe na criança acreditando na interação só se pode esperar resultados deste tipo.

Continuando sobre os nãos, tem aquele "Não" que é":- Hoje eu não quero ouvir histórias por que estou com dor, voltei da cirurgia, acabei de sair da UTI" - então dizemos que fica para uma próxima vez. Deseje tudo bom pra ela, para os acompanhantes e sempre use o bom senso. Oferecer é educado, insistir é fala de educação. Falamos com carinho, baixinho palavras de força e esperança e deixamos a criança em paz...acredite ela está lá para se recuperar, precisa de repouso, aquele descanso pode ser o alimento que ela está precisando naquele momento.

Tem 'Não" que é pra dizer que ele quer brincar de outra coisa...Tenha sempre um jogo, uma brincadeira...No meio da brincadeira vá contando umas histórias curtas, quando você ver já estão pedindo outra. 

Um "Não" é bem raro tá! Neste jogo o "sim" de conta uma história sempre foi o vencedor! Mas é bom estar preparados.

Às vezes, não é só com histórias que fazemos milagres...uma vez foi com bolinhas de sabão. A criança no  colo da mãe não queria, nem prestava atenção no meu livrinho.  Então comecei a soltar bolinhas em silêncio. A criança sorriu para elas, se mexeu no colo da mãe...mais um pouquinho ela desceu, foi para chão, ficou em pé e começou a querer pagá-las...aos pouquinhos já estava correndo e dando risos de alegria. Quando vejo, lágrimas nos olhos da mãe que me disse: "- Fazia três semanas que ele não sorria mais e nem saia do meu colo!"...Depois disso eu sai do hospital meio como a bolha de sabão, flutuava mas com uma grande interrogação: Como é que pode uma bolinha ter feito isso para aquela criança? Uma simples bolinha de sabão! Parece tão pouco...mas essa experiência faz a gente mudar por dentro...É por esta e outras que este trabalho me move, me surpreende, me dá sentido. Que seja assim também pra você.

Nani
Coordenadora dos Contadores de Histórias Griots/HC

12/09/2010

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Psicanálise e Histórias

A psicanálise desde Freud, muito contribuiu para compreendermos a importância da fantasia na apreensão da realidade.
Somos convidados a fantasiar logo que nascemos a fim de dominar nossas angústias e realizar os nossos desejos.
As histórias, os contos de fadas, os mitos são a fonte do universo simbólico, onde podemos matar a nossa sede de uma fantasia que no fundo é a nossa sede de verdade, de compreensão dos significados para a nossa vida em nosso dia-a-dia.
Crianças ou adulto somos tão ávidos de fantasias que passamos muito tempo nos romances, filmes, novelas e ficções, desenhos animados, livros e tudo o mais que podemos sorver para hidratar nossa alma.
Lacan afirmou que "o inconsciente é estruturado como uma linguagem"... linguagem que nos cria e que nos fornece os meios para viver.

A verdade não pode ser apreendida direta do real, mas somente e através desta linguagem e da fantasia.


 A Fábula da Verdade por (Regina Machado)

Quando A Providência criou a mulher, criou também a Fantasia.


Um dia, a Verdade resolveu visitar um grande palácio. E tinha que ser justo o palácio onde morava o sultão Harun al-Rashid. Envoltas as lindas formas num véu claro e transparente, ela foi bater na porta do rico palácio em que vivia o glorioso senhor das terras muçulmanas. Ao ver aquela formosa mulher, quase nua, o chefe da guarda perguntou-lhe:- Quem é você?


- Sou a Verdade! - respondeu ela, com voz firme - Quero falar com o seu amo e senhor, o sultão Harun al-Rashid, Emir dos crentes!O chefe da guarda, que cuida da segurança do palácio, apressou-se em levar a nova ao grão-vizir.


- Senhor, - disse, inclinando-se humildemente, - uma mulher desconhecida, quase nua, quer falar ao nosso soberano.- Como se chama?- Chama-se Verdade!- A Verdade! - disse o grão-vizir espantado. - A Verdade quer penetrar neste palácio? Não! Nunca! Que seria de mim, que seria de todos nós, se a Verdade aqui entrasse? A perdição, a desgraça! Diga a ela que uma mulher nua, despudorada, não entra aqui!- Voltou o chefe da guarda com o recado do grão-vizir e disse à Verdade: - Aqui não pode entrar, minha filha. A sua nudez iria ofender nosso Califa. Volta, pelo caminho de onde veio.
Porém, quando A Providência criou a mulher, criou também a Obstinação.E a Verdade continuou a alimentar o propósito de visitar um grande palácio. E tinha que ser justo o palácio onde morava o sultão Harun al-Rashid. Persistente, ela cobriu as peregrinas formas com um pano grosseiro como os que usam os mendigos e foi novamente bater na porta do suntuoso palácio em que vivia o glorioso senhor das terras muçulmanas. Ao ver aquela formosa mulher vestida tão grosseiramente com trapos, o chefe da guarda perguntou-lhe:- Quem é você?- Sou a Acusação! - respondeu ela, brava. - Quero falar ao seu amo e senhor, o sultão Harun al-Rashid, Comendador dos crentes! O chefe da guarda, que cuida da segurança do palácio, correu a entender-se com o grão-vizir: - senhor, - disse inclinando-se humildemente - Uma mulher desconhecida, com o corpo envolto em panos grosseiros, deseja falar ao nosso soberano.- Como se chama?- Chama-se Acusação!- A Acusação! – disse o grão-vizir, aterrorizado. Que seria de mim, que seria de todos nós, se a Acusação entrasse aqui? A perdição, a desgraça! Diga a ela que aqui não, aqui não pode entrar! Diga-lhe que uma mulher, vestida com panos grosseiros, não pode falar ao nosso amo e senhor! - Voltou o chefe da guarda com a proibição do grão-vizir e disse à Verdade:- Aqui você não pode entrar, minha filha. Com estas roupas rasgadas, próprias de um beduíno rude e pobre, não podes falar ao nosso amo e senhor, o sultão Harun al-Rashid! Volta, em paz, pelo caminho de onde veio.Vendo que não conseguiria realizar seu intento, ficou ainda mais triste a Verdade, e afastou-se vagarosamente do grande palácio do poderoso senhor.
Mas...Quando A Providência criou a mulher, criou também o Capricho.E a Verdade encheu-se do vivo desejo de visitar um grande palácio. E tinha que ser justo o palácio onde morava o sultão Harun al-Rashid.Vestiu-se com riquíssimos trajes, cobriu-se com jóias e adornos, envolveu o rosto em um manto de seda e foi bater à porta do palácio em que vivia o glorioso senhor dos árabes.Ao ver aquela encantadora mulher, linda como a quarta lua do mês do Ramadã, o chefe da guarda perguntou-lhe:- Quem é você?- Sou a Fábula! - respondeu ela, em tom meigo. - Quero falar com o sultão Harun al-Rashid, Emir dos crentes!O chefe da guarda, que cuida da segurança do palácio, correu a entender-se com o grão-vizir.- Senhor, disse, inclinando-se humilde, uma linda e encantadora mulher, vestida como uma princesa, solicita a audiência de nosso amo e senhor, o sultão Harun al-Rashid, Emir dos crentes!- Como se chama?- Chama-se Fábula!- A Fábula! Disse o grão-vizir, cheio de alegria. - A Fábula quer entrar neste palácio? Que entre! Bendita seja a encantadora Fábula. Cem formosas escravas irão recebê-la, com flores e perfumes. Quero que a fábula tenha, neste palácio, a acolhida digna de uma verdadeira rainha!E foram abertas as portas do grande palácio de Bagdá e a formosa peregrina entrou. E foi assim que, vestida de Fábula, a Verdade conseguiu entrar no grande palácio do poderoso Califa de Bagdá, o sultão Harun al-Rashid, Principe de todos os crentes. 

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Histórias na Praça do Côco

 Histórias na Praça com Nani, 28/08/2010.

 Olá,

Na manhã deste último sábado, estive na Praça do Côco em Barão Geraldo, contando histórias para um público maravilhoso, uma criançada bonita, inteligente e papais nota 10. Apesar do ar muito seco e eu estar me recuperando de uma sinusite, contei mais histórias do que acreditava ser capaz neste dia. É que  percebendo naqueles olhinhos toda a curiosidade aguçada, toda a imaginação que foi despertada, aumentou toda minha vontade de contar mais uma, mais uma...e todos curtimos muito aquele momento de histórias. No final, ninguém queria que terminasse...mas "tudo que tem um início tem fim"... como nas histórias... me pediram que voltasse no domingo. Legal, mas não dava... Por sorte em outubro terá mais, se Deus quiser e ele quer!!

Confiram alguns momentos deste dia cheio de encantos.






sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Mínimo Conto

O que é um mínimo conto? Bem pra mim...


Drumond saberia dizer melhor sobre isso...

Eu não sabia, me desculpem...mas as coisas tem acontecido numa velocidade. E agora acontecerão mais rápido ainda! Com a nova onda de twittar, foi criado o comunicador expert, aquela pessoa que consegue passar sua mensagem, sem encher linguiça de forma alguma, através de um a mensagem, precisa e direta, mas nem por isso a poesia e o encantamento estão perdidos. O exemplo disso ficará registrado no livro E-book que será editado pela Editora Aletria até o final deste ano. Trata-se da seleção de 33 mínimos contos de suspense, pelo concurso de Mínimos Contos realizado no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias do Rio de Janeiro.
Estou Super feliz pois fiquei entre os 33 selecionados,  aprendi uma nova forma de comunicar e um mundo muito interessante que já estava aí acontecendo por traz das redes.
Aguardem o lançamento deste livro...É o que há de novidade neste universo entre tradição das histórias e tecnologia ...